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Skol e a suspensão da descrênça

30/10/2007

Estava vendo o comercial da cerveja Skol onde, um grupo de rapazes encontra um grupo de garotas no caixa de um supermercado. Eles estão levando um pacote de latas de cerveja. Elas, um pacote de gelo. Minha mulher disse que achou o filme mais fraquinho da campanha. Eu concordei de chacota dizendo que era inverossímil um grupo de gostosas tocando uma barraca de peixes na feira. Ela disse, feirante não compra gelo no supermercado. Nosso vizinho é feirante da barraca de peixe. Ela disse também, esse é o mais mentiroso dos filmes da Skol. Eu disse que apesar de ser o mais fraco, tinham outros mais mentirosos, como por exemplo o da geladeira de cervejas na sala. E não era isso que fazia dele o mais fraco.Tem um aspecto da ficção que é a suspensão da descrênça (uma tradução estranha de suspension of disbelief), onde o espectador concorda tacitamente em aceitar coisas impossíveis na vida real para que a história faça sentido, ou simplesmente, exista. É por conta disso que aceitamos que James Bond saia ileso de explosões e tiroteios, ou Harry Potter voe numa vassoura. No vídeo o verossímil é melhor que o verdadeiro. Mas quais são os limites – inferior e superior – para essa suspensão da descrênça afinal? 

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